terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

GESTÃO DE RISCOS EM HOSPITAIS DO EXÉRCITO


Pesquisa avalia a gestão de riscos em hospitais do Exército

Solange Argenta
Um método voltado para a prevenção e que pode garantir a segurança dos pacientes hospitalizados foi tema de pesquisa na Fiocruz Pernambuco. O estudo foi realizado durante o mestrado profissional em saúde pública, pelo estudante Alexssandro da Silva e investigou a gestão de riscos em cinco hospitais do Exército situados no Nordeste. O trabalho teve a orientação do pesquisador do Departamento de Saúde Coletiva da Fiocruz PE, Petrônio Martelli, e do professor do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração da Faculdade Boa Viagem, James Falk.


 O hospital militar do Recife foi um dos avaliados no estudo
O hospital militar do Recife foi um dos avaliados no estudo

O principal produto da dissertação foi uma matriz gerada a partir dos dados pesquisados, que permite uma visão sistêmica da situação de riscos. “Trata-se de um instrumento de tomada de decisão para os gestores, a partir do qual podem ser elencadas prioridades de ação”, explica Alexssandro. O trabalho foi dividido em duas etapas. Na primeira, Alexssandro fez um levantamento dos riscos considerados, por especialistas, como os mais importantes e as normas de controle (barreiras) estabelecidas por 13 hospitais de referência do Nordeste certificados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA ). A partir desses dados, o mestrando desenvolveu um software que permite a visualização de matrizes e fórmulas, denominado  Módulo de Gerenciamento de Riscos do Sistema de Gestão da Qualidade (SisGQ-Gesleade).
A segunda etapa foi voltada para a aplicação do instrumento propriamente dito, realizada em cinco hospitais militares no Nordeste. As técnicas de coleta de dados utilizadas foram o questionário aberto e a entrevista estruturada, delimitadas a cinco processos: internação, tratamento intensivo, assistência cirúrgica, assistência farmacêutica e assistência nutricional. Foram levadas em conta 167 normas de controle adotadas pelos hospitais, agrupadas em 33 riscos.
Ao analisar conjuntamente os hospitais estudados, observou-se que a maioria dos riscos pesquisados (62,6%) apresentou uma rara probabilidade de ocorrência. Já 24,4% apresentam risco possível ou provável de ocorrência, merecendo atenção por parte dos gestores. Dois riscos ficaram mais evidentes na pesquisa: a troca de identidade de pacientes mostrou-se um risco provável de acontecer em quatro dos cinco hospitais pesquisados, tanto no tratamento intensivo como no cirúrgico. “A partir dessa análise podem ser adotadas medidas de proteção, muitas vezes elementares, como o uso de pulseiras de identificação nos pacientes”, esclarece Alexssandro.
Já a assistência farmacêutica foi a área que apresentou o maior indicador de probabilidade de risco. Em três das instituições de saúde o risco mais provável é o de ocorrência de interações medicamentosas. A reação adversa medicamentosa e a descontinuidade do tratamento também são riscos prováveis em dois hospitais e nos restantes aparecem como riscos possíveis. “A ausência de um sistema informatizado foi apontada pelos entrevistados como a principal causa para o aumento do indicador”, completa o autor do estudo. “O gerenciamento de riscos em geral não exige soluções de alta complexidade tecnológica”, ressalta Alexssandro. “Práticas simples e de baixo custo podem ajudar a oferecer mais segurança", afirmou.

O gerenciamento de riscos é uma prática de gestão que busca diminuir a probabilidade de ocorrência de um evento adverso que, no caso dos serviços de saúde, afeta a integridade do paciente, da equipe de saúde ou da instituição onde o serviço está inserido. Envolve o uso de instrumentos para monitoramento e análise visando à implementação de medidas preventivas, além do estabelecimento de uma infraestrutura e uma cultura organizacional apropriadas.

Publicado em 18/2/1013.

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